BAIRRADA, uma região vitícola

A produção de vinho na região remonta ao tempo dos romanos, fazendo disso prova os diversos lagares talhados nas rochas graníticas (lagares antropomórficos), onde na época o vinho era produzido. Foram também descobertos documentos que evidenciam a sua existência nos séculos X e XI. A tradição dos vinhos remonta ao reinado de D. Afonso Henriques, que autorizou a plantação de vinhas na região, com a condição de lhe ser dada uma quarta parte do vinho produzido. Já durante os reinados de D. João I e D. João III, foram tomadas medidas para proteger os vinhos desta região do país, dada a sua excelente qualidade e importância social e económica. Estendendo-se desde o Minho (sul do Porto) até à Alta Estremadura (sul de Coimbra), é uma região de agricultura predominantemente intensiva, com uma variedade de produtos cultivados em pequenas parcelas de terra, onde a vinha ocupa um lugar de destaque e a qualidade dos seus vinhos justifica o reconhecimento da designação DOC Bairrada. A certificação dos produtos vitivinícolas com direito à DO Bairrada e à IG Beira Atlântico cabe oficialmente à Comissão Vitivinícola da Bairrada (também conhecida pela sigla CVB). Os solos, provenientes de diferentes épocas geológicas, são predominantemente pobres. Dividem-se principalmente entre terrenos argilo-calcários e longas faixas arenosas, constituindo uma grande variedade de tipos de solos, dependendo do elemento predominante. A vinha é cultivada maioritariamente em solos argilosos e argilo-calcários. Os invernos são longos e frescos, os verões quentes, temperados pelos ventos de leste e nordeste dominantes nas regiões mais próximas do mar. O clima é atlântico-mediterrânico com uma precipitação anual de entre 900 mm e 1.100 mm. É uma região essencialmente plana, com vinhas que raramente estão situadas acima dos 120 metros de altitude. Devido à sua planicidade e à proximidade do oceano, ela goza de um clima temperado, com uma influência atlântica extremamente forte, com chuvas frequentes e temperaturas médias amenas. Integrando uma faixa ao longo da costa, com uma elevada densidade populacional, a propriedade rural é dividida em milhares de pequenas parcelas, com uma área vitícola média raramente superior a dois hectares. As fronteiras oficiais da Bairrada foram estabelecidas em 1867 por António Augusto de Aguiar e em 1887, o Governo Português fundou na Bairrada, uma escola prática de viticultura para incentivar melhores técnicas de cultivo e para prevenir as doenças da videira. Esta escola, ainda existente sob o nome de Estação Vitivinícola da Bairrada / Escola de Viticultura da Bairrada, faz pesquisa e treina jovens locais nas mais recentes técnicas de viticultura. O primeiro director desta escola, Tavares da Silva, foi pioneiro na produção de vinhos espumantes na região pelo método clássico, perto do final do século XIX. O clima fresco e húmido desta região com a sua forte influência marítima favorece a sua elaboração, oferecendo uvas com um baixo teor alcoólico, mas uma acidez elevada, ambos factores essenciais na produção de vinhos espumantes de alta qualidade. A Bairrada obteve a designação DOC, para os vinhos tintos e brancos, em 1979, para os vinhos espumantes, em 1991 e para as aguardentes vínicas e os vinhos fortificados, em 2015.